Hidroponia: dificuldades encontradas na produção de alface hidropônica no Sertão Nordestino - Instituto Água Viva

1

O sistema de produção que utilizamos nas duas estufas em Chapada do Avelar (Casa Nova-BA) é o Fluxo Laminar de Nutrientes – NFT (Nutrient Film Technique). Nesse sistema, as plantas são colocadas em orifícios feitos ao longo do perfil ou tubo de PVC, de modo que somente as raízes se estendam para dentro do perfil/cano. Dentro desses, flui constantemente um filme fino de solução nutritiva, entrando em contato com as raízes.

Esses perfis/canos, são dispostos com uma pequena declividade, facilitando o escoamento da solução nutritiva que entra pela parte mais alta e escoa através das raízes até a parte mais baixa e retorna ao reservatório da solução. Para posterior bombeamento e recirculação no sistema.

Nesse sistema, em meio ao sertão nordestino, temos enfrentado muitos desafios e dificuldades. Apresentaremos uma série das principais dificuldades:

– Água: a qualidade e a disponibilidade da água é essencial na hidroponia, já que a planta tem um contato direto com ela. A água do nosso poço artesiano é salobra, não sendo recomendada a sua utilização no sistema. Devido a isto, a água utilizada é adquirida de caminhões-pipa, o que tem elevado o custo de produção e permite algumas doenças, devido ao não tratamento e a falta de qualidade.

– Comercialização: a comercialização define o sucesso – ou não – em qualquer atividade. A alface hidropônica é altamente perecível, então sua comercialização tem que ser rápida, ter um mercado consumidor bem próximo e um bom canal de venda. Nosso projeto está situado na zona rural do município de Casa Nova, afastado da sede do município (13 km).

Mais próxima à sede do município, existem dois outros produtores e, como o município tem uma pequena população, o mercado local está saturado devido à grande oferta do produto. Outro fator é o baixo consumo da alface pela população local. Com isto, temos tido uma grande dificuldade de comercializar a alface que produzimos causando perdas.

Para reverter isto, estamos prospectando outros mercados próximos, como Petrolina e Juazeiro. Recentemente nos reunimos com a direção do Centro Público de Economia Solidária – CESOL, de Juazeiro, para nos auxiliar nessa comercialização, já que esta entidade atua na divulgação e comercialização para Empreendimentos da Economia Solidária e Agricultura Familiar no território do Sertão do São Francisco.