Sertão em Cena: crianças do sertão baiano transformam retalhos, argila e cordel em aprendizado
- há 4 dias
- 2 min de leitura

O mês de julho foi de mãos na massa literalmente para as crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Sertão em Cena: Cultura e Sustentabilidade, do Instituto Água Viva (IAV). Nas bases sociais, as atividades do período uniram educação ambiental, resgate da cultura popular e criatividade, transformando materiais simples, como retalhos de tecido e argila, em experiências de aprendizado e afeto.
Na base de Miguel Calmon (BA), a aula oficina de sustentabilidade convidou as crianças a fazerem uma verdadeira viagem no tempo. Utilizando recortes de tecido e argila, produto natural, os participantes conheceram um pouco de como foi a infância de muitos de seus pais, quando os brinquedos eram feitos de barro e diversos itens de casa eram produzidos com retalhos. A atividade, além de produtiva e divertida, aproximou gerações e mostrou, na prática, que reaproveitar materiais é um hábito que atravessa a história das famílias sertanejas.
No distrito de Itapura, o cenário sustentável ganhou forma com a produção de almofadas confeccionadas com retalhos, reforçando o reaproveitamento de tecidos como ferramenta de criatividade e consciência ambiental.
Já na base de Mirangaba (BA), julho marcou o início da confecção de livros de cordel, uma das expressões mais tradicionais da cultura nordestina. A produção começou pela criação das capas, cada participante escolheu um animal típico da região ou um elemento da vegetação local para ilustrar, representando a riqueza da cultura e da natureza do sertão.
O projeto também segue em atividade na comunidade de Chapada do Avelar, em Casa Nova (BA), ampliando o alcance das oficinas no território sertanejo.
Arte que transforma realidades
Por meio de oficinas gratuitas de música, dança e contação de histórias, o Sertão em Cena leva arte, aprendizado e consciência ambiental a crianças e adolescentes de 4 a 17 anos em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa descentraliza o acesso aos bens culturais e promove letramento ecológico e inclusão, ressignificando a realidade infantojuvenil dessas comunidades.

Com proposta pedagógica de 12 meses, o projeto ocupa o contraturno escolar com atividades artísticas que desenvolvem competências cognitivas, sociais e ambientais. A inserção de linguagens como o canto coral, o ensino de instrumentos musicais, o movimento corporal e a narrativa oral atua diretamente na plasticidade cerebral dos alunos: a prática artística exige concentração, memória e raciocínio lógico, competências que se transferem para a sala de aula, melhoram a absorção de conteúdos e combatem a evasão escolar.
Ao integrar ritmos regionais, narrativas da cultura popular e educação ecológica, o projeto ensina crianças e adolescentes a valorizarem o território onde vivem. Ao entenderem sua história e o valor de seu ecossistema, deixam de ser espectadores passivos da realidade para se tornarem agentes transformadores de suas comunidades.
Realizado com recursos viabilizados pela Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), em parceria com o Ministério da Cultura, o Sertão em Cena conta com o apoio estratégico de empresas como Grupo Fortlev, Enepol, Perfilados Rio Doce, RDG Aços do Brasil, Extrabom e BR Consórcios.

Informações à imprensa
Mariane Gagulich



Comentários